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Entrevista: Dr. Nasser Allan
Entrevista com Dr. Nasser Allan que passa a integrar
o Conselho de Especialistas da UPADH na qualidade de consultor
neurológico
Entrevista
com Dr. Nasser Allan que passa a integrar na qualidade de consultor
neurológico do Conselho de Especialistas da UPADH. Especializado
pela universidade de Barcelona em distúrbio de movimento e no
Centro Raimond Garcin, Hospital Santanne em Paris e atualmente
coordenador do Ambulatório de Parkinson e Distúrbios do Movimento
da Fundação Hospitalar do Distrito Federal e membro da Sociedade
Espanhola de Neurologia e da Movimentação Desordenada Society
e do grupo de doenças extrapiramidais da Academia Brasileira de
Neurologia.
UPADH:
O que é Doença de Huntington (DH)?
Dr. Nasser:
A DH é uma doença transmitida geneticamente, caracterizada por
movimentos anormais, declínio intelectual, distúrbios de comportamento,
e uma progressiva perda da capacidade funcional. Apesar de ocorrer
em faixas de idade precoces e muito tardias, a regra é de que
a maioria dos pacientes apresentem sintomas em torno de trinta
e nove anos de idade. A DH tem uma prevalência de aproximadamente
de cinco a dez pessoas por 100 mil habitantes, sendo uma patologia
predominante da raça branca, sendo pouco comum em japoneses e
negros. Não há diferença estatística em sexos.
UPADH:
O que o Sr. acha da iniciativa da UPADH?
Dr. Nasser:
Considero uma iniciativa extremamente importante por várias razões.
Em primeiro lugar, por se tratar de uma oportunidade única dos
pacientes e familiares interagirem, trocando experiências, buscando
soluções comuns, intervindo em nível estatal e de legislação,
e principalmente no aspecto da solidariedade.
UPADH:
Quais são as últimas novidades na área de pesquisa para a DH?
Dr.
Nasser:
Uma das principais novidades é o exame genético realizado em óvulos
fecundados possibilitando um diagnóstico (pré-implante) de tal
forma que poderemos com isso selecionar um óvulo sem a doença,
impedindo sua transmissão aos filhos.
UPADH:
E com relação ao tratamento da DH?
Dr.
Nasser:
Existem alguns trabalhos sobre estratégias neuro protetoras (qualquer
substância que possa diminuir o processo de morte neuronial) que
poderiam diminuir a progressão da DH. Uma das substâncias utilizadas
que parece exercer algum efeito, seria a remacemida, um
antagonista de receptores de NMDA. O magnésio e a ubiquinona
parecem exercer um efeito neuro protetor em nível de mitocôndrias,
e reduzindo o nível de lactato em pacientes com DH. Estudos com
vitamina E tem falhado em demonstrar efeito neuro protetor em
pacientes com DH manifestada, porém em pacientes pré-sintomáticos
ou nos estados iniciais da DH responderiam mais favoravelmente.
Os transplantes estriatais de célula fetal ainda continuam sob
investigação e estudos de terapia
genética
prometem uma grande perspectiva em reparar as alterações primárias
das células mutantes.
UPADH:
Diante de tudo isso o que uma pessoa portadora de DH pode fazer
para ter uma melhor evolução?
Dr.
Nasser:
Principalmente gozar de uma boa estrutura familiar. Na minha experiência
de nove anos tratando pacientes com DH, é nítido a melhor performance
naqueles que tem um bom suporte familiar. Exercícios físicos de
rotina tais como hidroginástica, natação, caminhadas e equoterapia
(terapia com cavalo). A terapia ocupacional ocupa um lugar importantíssimo
no tratamento do paciente, seja na adaptação de seu trabalho ou
de seu lar e também em tarefas do seu cotidiano. A fisioterapia
e a psicoterapia são de estrema importância e complementam a multiplicidade
de profissionais envolvidos com a DH.
UPADH:
Que dicas o Sr. daria para os portadores de DH?
Dr.
Nasser:
1) uma vida mais próxima do normal possível. Evitar aposentadoria
precoce;
2) manter uma vida intelectual a mais intensa possível,
como leituras, cursos, cinema, teatro, etc.;
3) uma alimentação saudável com frutas , verduras, legumes
e com balanço calórico positivo (evitar emagrecer);
4) participar da UPADH.
Sobe
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Entrevista:
Prof. Josimar França
Entrevista com o Prof.
Josimar Mata de Farias França, médico psiquiátra, membro do conselho
de médicos da UPADH
Especialista
em Psiquiatria, ex-diretor da Faculdade de Ciências da Sáude da
UnB, chefe do serviço de psiquiatria do Hospital Universitário
de Brasília, ex-presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília
e atual Secretário Geral da Associação Brasileira de Psiquiatria.
UPADH:
Quais os aspectos neuropsiquiátricos mais importantes na Doença
de Huntington (DH)?
Prof.
Josimar:
A Doença de Huntington (DH) apresenta comumente aspectos psiquiátricos
importantes destacando-se entre vários quadros a depressão,
que chega a acometer 30 a 40% de todos os pacientes, o que é quatro
vezes maior do que a taxa encontrada na população em geral. A
maioria das tentativas de suicídio - um risco maior, que acomete
25% dos deprimidos - ocorre cedo no curso da doença, entretanto,
felizmente apenas 6% obtém êxito.
A depressão pode ser evidente vários anos antes de serem aparentes
às anormalidades visíveis dos movimentos e os episódios depressivos
podem durar de semanas a anos.
UPADH:
O que o Sr. acha da iniciativa da UPADH?
Prof.
Josimar:
Trata-se de uma iniciativa do mais alto valor para todos os
pacientes e familiares, trazendo uma conscientização social e
política importantíssima, que deve estar voltada, não só para
os portadores, mas para autoridades, profissionais da área de
saúde, enfim, para toda a sociedade, considerando tratar-se a
DH, uma doença grave que atinge cerca de 2 a 9 por 100 mil habitantes.
UPADH:
Quais são outros transtornos psiquiátricos freqüentes?
Prof.
Josimar:
Temos os estados psicóticos que ocorrem entre 10 a
30% dos pacientes, com sintomas delirantes e uma gama de experiências
alucinatórias. A duração desses estados psicóticos pode durar
por vários meses, embora possam apresentar-se ocasionalmente de
modo precipitado (abrupto).
Alterações da personalidade podem ocorrer sob duas formas
distintas de síndromes:
Apática: marcada por lentidão, desinteresse pelas atividades
habituais, negligência da higiene e evitamento social.
Desinibida: em que predominam acessos de raiva, irritabilidade
fácil, violência interpessoal e um humor notavelmente lábil e
reativo.
Os déficits neuropsicológicos marcam um declínio da inteligência
e é um achado virtualmente universal na doença de Huntington (DH).
Como em outras síndromes psiquiátricas, cognitivos podem preceder
os sintomas motores. O declínio intelectual em geral é grave somente
após anos de anormalidades neurológicas manifestas.
Freqüentemente, o primeiro sintoma relatado nos déficits neuropsicológicos
é uma incapacidade de resolver problemas rotineiros com eficiência
habitual. Os testes formais, neste estágio, habitualmente revelam
um transtorno tanto da memória verbal quanto da auditiva, com
uma relativa conservação das funções da linguagem. O transtorno
da memória não é uma verdadeira amnésia, mas um comprometimento
da eficiência em recordar a informação aprendida.
UPADH:
E com relação ao tratamento da DH?
A farmacoterapia tem um efeito variável nos pacientes com
DH.
Prof.
Josimar:
Pacientes deprimidos respondem bem aos medicamentos antidepressivos
convencionais. Uma pequena fração de pacientes com transtornos
do humor que apresentam episódios maníacos marcados por hiperatividade
psicomotora, fuga de idéias, insônia e delírios de grandeza são
parcialmente responsivos aos agentes químicos como o lítio e a
carbamazepina (Tegretol), mas são geralmente tratados com medicamentos
antipsicóticos de alta potência, como por exemplo o haloperidol
(Haldol), pimozida (Orap), que também se aplicam para os quadros
psicóticos, pois tais medicamentos são úteis na atenuação da irritabilidade,
paranóia, alucinações, tendências violentas e comportamentos bizarros,
que às vezes acompanham a doença. Os anticolinérgicos geralmente
exacerbam o comprometimento cognitivo e pioram tanto a coréia
como a disfagia.
Algumas vezes são necessárias associações entre os diversos medicamentos
citados, dependendo da sintomatologia apresentada.
UPADH:
Que outras medidas terapêuticas podem ser adotadas em relação
a aspectos neuropsiquiátricos?
Prof.
Josimar:
Por
se tratar de uma doença de evolução crônica, fatores estressantes
psicossociais podem contribuir para uma evolução mais drástica,
mesmo em pacientes sob manutenção farmacológica. Assim, há o consenso
de que além das medicações, são importantes medidas psicossociais
para minimizar os transtornos causados pela doença. Podem ser
empregadas psicoterapias individuais ou de grupo, intervenções
familiares e o emprego de terapias ditas ocupacionais,
também podem ser uma opção, devendo haver para cada caso uma avaliação
em que possam ser bem indicadas uma ou várias dessas alternativas
terapêuticas. Comumente, a combinação de várias dessas formas
terapêuticas citadas, pode ser superior a qualquer uma delas isoladamente.
Em alguns casos a farmacoterapia tem o efeito apenas modesto.
Sobe
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