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"A força não provém da capacidade física, mas da vontade férrea." Gandhi
(1869-1948)

Doença de Huntington: uma visão biomolecular.
Dr. Júlio Fernandes Leite
Artigo publicado na Revista de Neurología (Barcelona), abril de 2001;32(8):762-767.

INTRODUÇÃO
A doença de Huntington (DH) é uma afecção neurodegenerativa hereditária de caráter autossômico dominante, com penetração completa, cuja prevalência é de 5 a 10 casos por 100.000 habitantes (1-3). As manifestações clínicas iniciam-se com maior freqüência entre as idades de 35 e 50 anos e caracterizam-se por um quadro progressivo de movimentos anormais e involuntários do tipo coréico, que afetam com maior freqüência membros inferiores e face, associado a distúrbios psiquiátricos e deterioração progressiva e irreversível das funções cognitivas (4). A coréia tende a tornar-se incapacitante, mas à medida que a doença progride é lentamente substituída por um quadro de rigidez. Os distúrbios psiquiátricos, como depressão, mania, distúrbio obsessivo-compulsivo e ansiedade, podem preceder as manifestações motoras, enquanto as funções cognitivas geralmente são afetadas somente na fase mais avançada da doença, que evolui para um quadro de demência. A sobrevida média após o início das manifestações é de 15 a 20 anos, sendo o óbito freqüentemente causado por aspiração e pneumonia, trauma decorrente de quedas, ou sépsis decorrente de úlceras de decúbito. A forma juvenil, ou variante de Westphal, que se manifesta antes dos 20 anos de idade e responde por cerca de 10% dos casos, ocorre com maior freqüência quando o pai é o genitor afetado (75 a 80% dos casos) e diferencia-se por apresentar menor sobrevida, de cerca de 8 anos, predomínio de rigidez desde o início e maior probabilidade de convulsões (1,4).
Estudos recentes permitem uma melhor compreensão da fisiopatogenia da doença, permitindo uma visão crítica do tratamento atual e trazendo esperanças de um tratamento mais eficaz.

FISIOPATOGENIA
A DH é um dos 8 distúrbios conhecidos provocados por mutação caracterizada por aumento do número de repetições de trinucleotídeo CAG, que codifica o aminoácido glutamina. Repetições de trinucleotídeos freqüentemente são encontradas em genes que codificam fatores de transcrição (proteínas que regulam a expressão de outros genes) e em genes que regulam o desenvolvimento. Na DH o gene afetado (IT15), localizado no cromossomo 4, codifica a proteína huntingtina, de função ainda desconhecida, mas possivelmente envolvida no desenvolvimento embrionário normal, na hematopoiese e na neurogênese (5,6). A huntingtina normalmente apresenta até 35 resíduos de glutamina na extremidade N-terminal, enquanto a mutante apresenta 38 ou mais resíduos e forma agregados cuja translocação para o núcleo parece ser um evento crítico que induz a morte neuronal por apoptose (morte celular programada) (7,8). As mutações por expansão de segmentos de trinucleotídeos são denominadas dinâmicas ou instáveis, pois tendem a aumentar de uma geração para outra. Como existe uma relação inversa entre o tamanho da expansão do segmento de poliglutamina e a idade de início das manifestações, em tais doenças pode ocorrer o fenômeno de “antecipação”, onde os descendentes desenvolvem manifestações em idade mais precoce que seu genitor afetado (5). Na DH a correlação clínica entre estes parâmetros é significativa apenas para mutações com mais de 60 ou 70 repetições CAG, mas como a maior parte dos pacientes apresenta entre 40 e 49 repetições, raramente o fenômeno de antecipação é observado (1,9). Ao contrário de outras doenças provocadas por expansão de CAG, na DH a instabilidade da mutação ocorre quando o pai é o genitor afetado (5).
A neurodegeneração da DH é algo seletiva, provocando atrofia inicialmente mais marcante no corpo estriado (núcleo caudado e putâmen), o que determina dilatação dos ventrículos laterais. A atrofia cerebral é proporcional à duração e gravidade dos sintomas (10) e envolve ativação de apoptose (11-14), acompanhada por gliose parcial (15). As hipóteses que tentam explicar a morte neuronal na DH envolvem diminuição do metabolismo energético, alterações da função mitocondrial, estresse oxidativo e neurotoxicidade mediada por aminoácidos excitatórios, como o glutamato, ou por metabólitos endógenos do triptofano (16). É possível que diversos mecanismos se complementem na promoção da lesão celular.

Alterações do metabolismo energético e da função mitocondrial
O cérebro consome fração elevada (20%) do oxigênio circulante em relação ao seu peso relativo (2%), pois os neurônios apresentam alta atividade metabólica e normalmente obtêm energia quase exclusivamente a partir do metabolismo aeróbico da glicose, altamente depende da perfusão sangüínea. O processo de fosforilação oxidativa mitocondrial constitui a principal via de síntese de ATP em condições aeróbicas, e é a mais eficiente. Consiste no transporte de elétrons através de uma cadeia de cinco complexos enzimáticos localizados na membrana interna da mitocôndria, os quais são interligados através de moléculas de coenzima Q10 ou de citocromo C. Este processo tem como missão oxidar os equivalentes redutores (NADH e FADH2), canalizando o fluxo de elétrons para o aceptor final de hidrogênio, o oxigênio. A energia liberada nestas reações é utilizada para bombear prótons da matriz mitocondrial para o espaço intermembrana, gerando um gradiente de pH através da membrana mitocondrial interna, cuja energia é usada para produzir ATP a partir de ADP e fosfato inorgânico (Pi) (17).
Na DH ocorre déficit de 55% na atividade dos complexos mitocondriais II e III, e de 25% do complexo IV, no caudado e putâmen (8). Déficits do complexo II caracterizam-se por diminuição da oxidação de substratos dependentes de FADH2, como o succinato, e oxidação normal dos que dependem de NADH, como o malato, enquanto o bloqueio do complexo III altera a oxidação de ambos. Mas qualquer déficit enzimático que afeta a cadeia respiratória, independentemente de sua localização, afeta de modo marcante o metabolismo celular, limitando o ciclo do ácido cítrico e a oxidação do piruvato, que passa a ser metabolizado em lactato, e reduzindo a produção de ATP (17).
A cintigrafia computadorizada (SPECT) mostra que na DH ocorre diminuição da perfusão sangüínea cerebral, detectada mesmo em portadores pré-sintomáticos da mutação. Na forma adulta da doença a diminuição da perfusão tende a ser generalizada, enquanto na variante de Westphal limita-se aos núcleos caudados, generalizando-se à medida que a doença progride (18,19). Estudos com tomografia por emissão de pósitron de F-18 fluorodeoxiglicose (FDG-PET) em pacientes com DH e portadores pré-sintomáticos revelam diminuição do padrão típico de atividade metabólica cerebral nos núcleos da base, correlacionado com o grau de disfunção motora, bem como nos lobos frontais e parietais (8). Pode ocorrer aumento na concentração de lactato, diminuição de N-acetil-aspartato (NAA), um marcador de integridade neuronal, diminuição de creatina e da relação NAA/colina no estriado, revelados através de ressonância magnética espectroscópica em pacientes e portadores pré-sintomáticos da mutação (20,21,22). A diminuição de creatina se correlaciona com a expansão de CAG e com os déficits motores e cognitivos (22). Também ocorre aumento da relação lactato/piruvato no líquido cefalorraquideano de pacientes (23). Alterações do metabolismo energético podem ocorrer em tecidos periféricos dos pacientes, que apresentam diminuição da relação fosfocreatina/Pi e da atividade do complexo I mitocondrial no músculo e plaquetas. As alterações metabólicas musculares são acompanhadas por alterações morfológicas nas fibras musculares, que se apresentam denteadas, anguladas e com aumento de mitocôndrias grandes com cristas anormais (8). Há, portanto, múltiplas evidências de comprometimento da função mitocondrial e do metabolismo energético na DH.

Estresse oxidativo
Espécies reativas de oxigênio (EROs) são moléculas geradas principalmente na mitocôndria durante o transporte de elétrons na cadeia de fosforilação oxidativa, que antes de converter oxigênio em água origina os radicais superóxido (O2.-) e hidroxil (OH.), além de peróxido de hidrogênio (H2O2), ligados às enzimas da cadeia. Eventualmente elétrons escapam da cadeia de oxidação, gerando radicais livres (17). A formação de radicais livres é responsável pelo consumo de cerca de 2% do oxigênio usado na respiração (24). As EROs podem gerar reações em cadeia com moléculas de todas as estruturas celulares, sejam proteínas, lipídios de membrana ou ácidos nucléicos, alterando sua função. Estas alterações são denominadas de estresse oxidativo. Devido à sua localização na matriz mitocondrial, à falta de histonas e aos seus mecanismos de reparo limitados, o DNA mitocondrial é um alvo principal do ataque por EROs (8,25). Na DH ocorre aumento de deleções de DNA mitocondrial nos lobos temporal e frontal do córtex, bem como aumento na concentração de 8-hidroxideoxiguanosina, um marcador de lesão oxidativa do DNA, no caudado e córtex frontal (16,26,27).
Os principais antioxidantes endógenos atuantes no cérebro são as enzimas superóxido dismutases (SOD-CuZn e SOD-Mn) e o sistema glutationa (28). As SOD degradam o O2.- , gerando H2O2 . A glutationa peroxidase é uma enzima dependente de selênio e glutationa reduzida, que catalisa a transformação do H2O2 em água. A glutationa se oxida ao regenerar a vitamina C, oxidada na regeneração da vitamina E. A glutationa redutase é a enzima que regenera a glutationa reduzida. Os antioxidantes endógenos inibem a apoptose neuronal induzida por diversos estímulos, e sua disfunção está relacionada com desenvolvimento de neurodegeneração, como na esclerose lateral amiotrófica (29,30,31). Na DH ocorre aumento na concentração de glutationa oxidada no caudado (8).
Metais de transição, como ferro e cobre, agravam o estresse oxidativo pois, através das reações espontâneas de Fenton e Haber-Weiss, originam mais EROs (32). O estriado normalmente apresenta concentrações de ferro relativamente elevadas e que aumentam com a idade. O estresse oxidativo, assim como a redução do pH intracelular, produz aumento na concentração de ferro livre, devido à oxidação e remoção deste da ferritina e de enzimas dependentes de ferro (33,34). Os complexos mitocondriais I, II e III, cujas atividades estão diminuídas na DH, contém enzimas dependentes de ferro (8,26). Na doença de Huntington há aumento precoce e significativo da concentração de ferro e ferritina no estriado (9,33), o que provavelmente contribui para a seletividade da perda neuronal na doença.
A aconitase é uma enzima dependente de ferro e como tal é inativada quando o íon ferro é removido por oxidação ou ataque por radicais livres (35). Participa do ciclo do ácido cítrico, que fornece equivalentes redutores (NADH e FADH2) tanto no citoplasma quanto na matriz mitocondrial. Além de participar da fosforilação oxidativa, os equivalentes redutores colaboram na regeneração dos sistemas antioxidantes envolvendo glutationa. Na doença de Huntington a atividade aconitase está reduzida em 92% no núcleo caudado, 73% no putâmen e 48% no córtex (36), diminuindo o metabolismo energético e a atividade antioxidante neuronal. Por outro lado, a atividade da enzima heme-oxigenase, que libera o ferro do grupamento heme, permitindo o metabolismo deste em bilirrubina, está aumentada na DH. A atividade heme-oxigenase aumenta em presença de metais de transição e em situações de estresse oxidativo, sendo considerada um marcador deste (27). O ferro, portanto, possivelmente participa de um ciclo deletério de retroalimentação de estresse oxidativo na doença de Huntington.
A reação ferroxidase permite o seqüestro do ferro pela ferritina e é catalisada pela ceruloplasmina. A ceruloplasmina representa assim um sistema antioxidante, mas em presença de radical peroxinitrito torna-se pró-oxidante, devido à liberação de íons cobre, capazes de formar OH. a partir de H2O2 . Parece que a ceruloplasmina está envolvida no efluxo de ferro celular, pois sua deficiência produz aumento da concentração de ferro em diversos órgãos, principalmente nos núcleos da base (37). A concentração de ceruloplasmina cerebral está aumentada na DH, justamente em áreas menos afetadas pela perda neuronal (38).
O ácido ascórbico, embora seja diretamente um antioxidante, em presença de metais como o ferro e cobre aumenta a produção de radicais livres por estes, devido à sua capacidade de reduzir Fe3+ e Cu2+ em Fe2+ e Cu1+ (32). A concentração cerebral de ácido ascórbico é cerca de 10 vezes maior do que a plasmática (39). Portanto, o uso de suplementos de ácido ascórbico com finalidade de diminuir o estresse oxidativo na DH poderia ser prejudicial, devido ao aumento de concentração de ferro nas áreas afetadas.

Desequilíbrio do circuito neuronal e neurotoxicidade
A expressão da huntingtina não é exclusividade das áreas cerebrais afetadas pela degeneração. Acredita-se que algum tipo de neurotransmissão possa contribuir para a perda neuronal preponderante sobre o estriado (33). Na DH a perda de neurônios do corpo estriado que apresentam receptores D2 de dopamina e projetam inibição GABA-érgica para a parte externa do globo pálido, provoca desinibição do tálamo e excesso de excitação do tálamo sobre o córtex motor (1). O aminoácido glutamato é o principal neurotransmissor excitatório do sistema nervoso central e o estriado recebe densa estimulação glutamatérgica do córtex. Os neurônios do estriado apresentam receptores de glutamato em abundância, principalmente os sensíveis a N-metil-D-aspartato (NMDA), que alteram a permeabilidade a íons Ca2+, Na+ e K+. Agonistas dos receptores NMDA provocam degeneração do estriado, constituindo um modelo experimental de DH (35).
O aumento da liberação de glutamato no estriado pode contribuir para o estresse oxidativo através da inibição por competição da absorção do aminoácido cisteína, cuja disponibilidade é o fator limitante na síntese de glutationa (40). Mas outros fatores estão envolvidos na neurotoxicidade mediada pelo glutamato. Modelos experimentais de DH em animais transgênicos evidenciaram aumento da sensibilidade ao glutamato e potencial de repouso mais despolarizado no estriado (41). A diminuição na produção neuronal de ATP, como ocorre na DH, determina a falência dos canais e bombas iônicas dependentes de ATP, despolarizando a membrana e prejudicando a restauração do potencial de repouso. O bloqueio dos receptores NMDA por Mg++, dependente do potencial de membrana, torna-se ineficaz, de modo que mesmo baixas concentrações de glutamato tornam-se capazes de ativar seus receptores, aumentando a concentração intracelular de Ca++. O cálcio pode mediar a morte celular através de mecanismos que envolvem ativação de óxido nítrico sintase (NOS), fosfolipase A2 (PLA2), proteases e proteína-quinases. O aumento na produção de óxido nítrico, que origina o potente radical peroxinitrito, contribui para aumentar o estresse oxidativo e a concentração de ferro livre (8). Assim como o Ca++ , a isquemia aumenta a atividade PLA2, que resulta no aumento da concentração lipídios bioativos, como fator de ativação plaquetária (PAF) e prostaglandinas, que respectivamente estimulam a liberação de glutamato pré-sináptico e na glia, potencializando sua excitotoxicidade (42,43). O PAF produz ainda contração das artérias cerebrais, diminuindo a perfusão sangüínea, e através da ativação de proteína quinase-C estimula mais ativação de PLA2, constituindo um ciclo vicioso que contribui para a excitotoxicidade (44).
Outras áreas cerebrais menos afetadas pela DH também apresentam alta densidade de receptores NMDA, como as camadas superficiais do neocórtex e o hipocampo. Entretanto, a concentração elevada de ferro no estriado poderia atuar de modo sinergístico com o glutamato, aumentando o estresse oxidativo (35). O estresse oxidativo também contribui para a excitotoxicidade do glutamato, pois os radicais livres inibem a captação deste por células da glia, aumentando sua concentração extracelular (45). Portanto, a neurotoxicidade induzida por glutamato está intimamente relacionada com o estresse oxidativo.
Certos metabólitos endógenos do triptofano na via de síntese de NAD, as quinureninas, como o ácido quinolínico, podem provocar morte neuronal através de aumento na produção de H2O2 e excitotoxicidade por estímulo de receptores de glutamato, o que estimulou o interesse na adoção de dietas com restrição de triptofano no tratamento da DH (46). Contudo, a concentração cerebral de ácido quinolínico não está aumentada na DH e é bem inferior à necessária para ativar receptores de glutamato (47,48). Além disso, algumas quinureninas, como o ácido quinurênico, são antagonistas de receptores de glutamato e estimulam a síntese de fator de crescimento neural, inibindo a excitotoxicidade (47,49). A concentração cerebral de ácido quinurênico, que diminui na hipoglicemia e na disfunção do metabolismo energético, está diminuída na DH (47,48). Considerando-se ainda que o triptofano é precursor da serotonina, importante neurotransmissor envolvido na modulação do afeto e cognição, que o NAD é importante para o metabolismo oxidativo e para a regeneração de antioxidantes, e que 2/3 do NAD se originam do metabolismo do triptofano e apenas 1/3 da niacina, a restrição de triptofano provavelmente seria deletéria para a função neuronal, em especial na DH. A depleção de triptofano relaciona-se ainda com recorrência de depressão, diminuição da atividade neuronal em várias áreas cerebrais, incluindo o núcleo caudado, e diminuição da formação de memória de longo prazo (50,51). Na DH a concentração sérica de triptofano parece ser inversamente proporcional ao déficit cognitivo e à sobrevida (52).

TRATAMENTO ATUAL
Não há tratamento curativo para a DH. O tratamento é direcionado para a redução da coréia e dos distúrbios psiquiátricos. Sempre que presente a depressão deve ser tratada, preferencialmente com antidepressivos de menor efeito anticolinérgico, como inibidores da recaptação de serotonina (fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina, sertralina ou venlafaxina), nefazodona ou trazodona (53).
O tratamento da coréia baseia-se no uso de inibidores dos receptores D2 de dopamina, como neurolépticos do grupo das fenotiazinas (mesoridazina, tioridazina, acetofenazina e perfenazina) ou compostos heterocíclicos (haloperidol, loxapina, molindona, pimozida e risperidona). Entretanto, devido aos importantes efeitos colaterais dessas drogas, como sedação, redução da função cognitiva, da atividade motora e hipotensão, seu uso pode não se justificar, exceto em casos de coréia de grande amplitude e que causam quedas freqüentes (53). A clozapina é um neuroléptico atípico, inibidor de receptores D1 de dopamina e pode proporcionar discreta melhora da coréia, raramente produz discinesia tardia, mas seu uso na DH também é limitado devido aos efeitos colaterais (54). Outras indicações para o uso de neurolépticos na DH são os distúrbios psicóticos (delírios e alucinações), tratados com doses menores que as usadas nos distúrbios psiquiátricos primários e cujo uso pode ser suspenso com a regressão dos sintomas (55).
Como os receptores D2 de dopamina pré-sinápticos normalmente inibem a liberação de glutamato nas vias córtico-estriatais excitatórias, os neurolépticos aumentam a liberação de glutamato no estriado, o que pode estar relacionado com o desenvolvimento de discinesia tardia, um distúrbio neurológico clínica e patologicamente semelhante à coréia da DH, provocado pelo uso crônico de neurolépticos (56). Além disso, tanto os neurolépticos convencionais quanto os atípicos produzem aumento da atividade dos receptores de glutamato (57). Portanto, é possível que o uso crônico de neurolépticos em portadores de DH contribua para a perda neuronal.
Drogas que inibem a liberação de glutamato, como a lamotrigina e o riluzole, são capazes de diminuir a coréia da DH (58,59), assim como drogas que inibem receptores de glutamato, como a remacemida (48).
Outra forma de tratamento que vem recebendo atenção é o transplante de tecido cerebral embrionário ou fetal (60). Todavia, questões técnicas e éticas importantes dificultam o progresso da terapia nesta direção. Uma alternativa, ainda a ser desenvolvida, seria o cultivo de linhagens de células neuronais viáveis para transplante (61).

PERSPECTIVAS
Os avanços na compreensão dos mecanismos envolvidos na neurodegeneração em geral e na DH, permitem vislumbrar estratégias de intervenção alternativas ao tratamento atual, objetivando principalmente retardar a evolução da doença. Parece improvável que, na ausência de uma terapia específica para compensar a mutação, seja possível melhorar tantas alterações metabólicas através de uma abordagem monoterápica.
O tocoferol é antioxidante, parece retardar a progressão da doença e inibe o acúmulo de ferro nos núcleos da base em modelo experimental de neurodegeneração induzido por neurotoxina (62,63). A creatina melhora o metabolismo energético em modelos experimentais de DH, atenuando a redução da produção de ATP, o aumento de ácido láctico e a morte neuronal (64). A coenzima Q10 é antioxidante, inibe a excitotoxicidade por glutamato in vitro, e reduz a concentração de lactato no estriado de pacientes com DH (8,23,65). A nicotinamida, precursor de NADH, aumenta o fluxo sangüíneo cerebral, previne a diminuição da produção de ATP e o aumento de lactato induzidos por neurotoxina no estriado, previne a lesão cerebral induzida por isquemia, inibe a expressão de NOS em células da glia e é bem tolerada (66,67).
O extrato de Ginkgo biloba poderia ser benéfico em diversos aspectos: tem propriedade antagonista de PAF, possivelmente aumenta o fluxo sangüíneo cerebral, melhora a função respiratória mitocondrial em condições normais e na hipóxia, atuando sobre os complexos I e III (42,68); inibe a apoptose neuronal induzida por peróxido de hidrogênio, glutamato e outros fatores (69,70,71); diminui a relação glutamato/GABA no córtex e hipocampo, através da ativação da enzima glutamato-decarboxilase, dependente de piridoxina (72); e inibe a peroxidação lipídica induzida por ferro (73).
O uso de lítio não produz melhora da coréia na DH (74), mas a descoberta de seu efeito protetor contra apoptose induzida por glutamato, ácido quinolínico e outros fatores sugere sua utilidade no tratamento de doenças neurodegenerativas (75,76,77).
O papel central do ferro no estresse oxidativo da DH sugere que o uso de quelantes de ferro, ou dieta deficiente em ferro, para manter as reservas de ferro no limite inferior da normalidade, poderia ser útil como tratamento antioxidante (78,79,80).
Os ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa da série ômega-3 (N-3) são componentes estruturais importantes dos fosfolipídios de membrana, concentrando-se principalmente na retina, cérebro e espermatozóides, contribuindo para a fluidez da membrana. Produzem dilatação arterial, através da síntese de óxido nítrico no endotélio. Inibem a PLA2, reduzindo a concentração de eicosanóides derivados do ácido aracdônico (ômega-6), como prostaglandinas, leucotrienos e PAF, além de originar eicosanóides menos ativos (81). Portanto, teoricamente poderiam reduzir a excitotoxicidade mediada por glutamato. Estudos com animais confirmam que os ácidos graxos N-3 reduzem a lesão cerebral induzida por isquemia ou excitotoxicidade, reduzem a atividade dopaminérgica no estriado e a atividade motora (82).
A dehidroepiandrosterona é um neuroesteróide antioxidante que apresenta efeitos neurotróficos, inibe a peroxidação lipídica neuronal induzida por H2O2 e a neurotoxicidade induzida por ferro, cobre e glutamato (83,84,85,86). A melatonina é um antioxidante endógeno sintetizado a partir do triptofano e secretado pela glândula pineal. Administrado perifericamente, difunde-se rapidamente pelos tecidos e ultrapassa facilmente a barreira hemato-encefálica, penetrando nos neurônios (87).

CONCLUSÃO
Os avanços do conhecimento sobre a fisiopatogenia da doença de Huntington, obtidos através de estudos in vitro e in vivo, com modelos experimentais da doença ou pacientes, sugerem a participação do estresse oxidativo, através de aumento de estímulos glutamatérgicos e de concentração de ferro no corpo estriado, além de alterações da perfusão sangüínea cerebral, da função mitocondrial e do metabolismo energético. Apesar desses avanços, o tratamento da DH permanece um grande desafio. As expectativas giram em torno de melhora do tratamento através de estratégias visando a neuroproteção, ou técnicas de transplante de tecido ou células neurais.

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ArtigosArtigo
O papel e os avanços das Associações de Huntigton no mundo

O mal de Huntington é uma disfunção cerebral hereditária. A doença deve-se à presença de um gene incomum, o gene de Huntington, o qual pode ser herdado de pai ou mãe infectados e leva a uma predisposição à doença. Qualquer pessoa que herdou o gene irá, inevitavelmente, desenvolver a doença em algum estágio de sua vida pois, a mesma é autossômica dominante.

Os sintomas são causados pela morte acelerada dos neurônios, em partes específicas do cérebro. A doença é caracterizada por movimentos involuntários, diminuição da capacidade intelectual e mudanças no comportamento e na personalidade. Muitas pessoas com o gene incomum do Huntington começam a exibir sintomas entre 35 e 45 anos de idade. Há também a forma juvenil (juvenil ou variante de Westphal) em que a rigidez muscular, ausência de movimentos, é o principal sintoma. Esta forma juvenil começa sempre antes dos 20 anos de idade.

Em muitos países do ocidente, estima-se que a doença afeta de 5 a 10 pessoas em cada grupo de 100.000 habitantes. Existem países e áreas no mundo onde a doença é mais prevalente, e outra onde ocorre com menos freqüência.

O gene incomum, “gene de Huntington” foi descoberto em 1993. Desde então, tem sido possível estabelecer a presença do gene em pacientes de alto risco por meio de teste de DNA. Apesar dos avanços das pesquisas científicas, não existe ainda a possibilidade de cura da doença.
Há vinte anos o mal de Huntington era vagamente compreendido como uma doença mental hereditária. Pacientes e os membros de suas famílias tinham que se esforçar por si próprios para lidar com as limitações causadas pela doença. Desde então, entretanto, um número de descobertas importantes foi iniciado. Avanços observados nas pesquisas científicas aumentaram as esperanças em que formas de tratamento poderiam ser descobertas para interromper a doença ou preveni-la.

As atividades de associações de pacientes e de membros de suas famílias - como a UPADH - chamam a atenção para a doença e promovem o redirecionamento da agenda política de vários países em prol dos doentes e seus familiares. Finalmente, os esforços de profissionais da área de saúde - e aqueles que se especializaram a partir da experiência - levam à descoberta de que soluções simples podem ser sempre encontradas para todos os tipos de problemas práticos na vida diária dos pacientes.

Trecho tirado do “Manual do paciente - Convivendo com o mal de Huntington."

Sobe


ContribuiçãoContribuição
A importância de um Acompanhamento Multidisciplinar para os Doentes de Huntington

Uma das mais importantes contribuições, senão a maior, para a UPADH em sua primeira participação no Encontro Mundial de Huntington na Holanda, em 1999, foi a visita e informações sobre a organização e funcionamento da Casa de Repouso Hullenoord/Heemhof, tida como exemplo em tratamento dos doentes de Huntington, cuja filosofia baseia-se em uma equipe multidisciplinar assistindo os doentes 24 horas/dia. A seguir transcrevemos parte do manual “Huntington - Cuidado especial por Hullenoord/Heenhof”:


Equipe multidisciplinar

A equipe multidisciplinar consiste nas seguintes especialidades:

Terapêutas ocupacionais para oferecer várias atividades como pintura, carpintaria, trabalho têxtil e grupos de discussão.

O músico-terapêuta que utiliza os sons musicais e faz música, tanto individualmente como em grupo, com o propósito de estimular o paciente por meio da expressão musical.

O fisioterapêuta que se concentra em manter as habilidades atuais do paciente, utilizando o relaxamento (banho de borboleta) e prevenindo complicações resultantes da doença. Além do que, como um ponto de apoio, a unidade de fisioterapia orienta em relação a ajustes em espaços fisicos e suporte para locomoção dos doentes.

O fonoaudiólogo que se preocupa com a comunicação, propiciando ajuda quando necessário.

O nutricionista dá conselho nutricional e é comprometido no caso de problemas em engolir, em consulta conjunta com o fonoaudiólogo.

O psicólogo dá apoio em problemas de aceitação e mudanças de comportamento. O psicólogo também verifica as habilidades ainda presentes.

O assistente social
se encarrega de tudo, que diz respeito ao registro e à admissão e pode mediar contatos com equipes externas, se necessário.

O conselheiro espiritual oferece apoio pastoral.

O médico da instituição concentra-se em primeiro lugar no cuidado médico geral e também está especificamente ocupado com a doença de Huntington.

O neurologista se concentra em problemas físicos específicos que são o resultado da doença de Huntington.

O psiquiatra se concentra em mudanças e problemas de comportamento baseado em consultas.

O ergônomo se concentra principalmente em adaptar apoios e materiais.


Tratamento especial

O tratamento na unidade, segundo o Centro de Dahlia, é intensivo, complexo e se baseia no indivíduo. O ponto de partida está na necessidade de tratamento orientado, ou “tratamento sobre medida”, estimulando habilidades ainda presentes nos pacientes, e assumindo as outras que o paciente já não pode fazer. Na prática nós fizemos a escolha, então, por uma terapia comportamental de aproximação que:

• Oferece uma estrutura geral (regras de tutela, tempos fixos e similares) e uma estrutura individual (programa diário e semanal) suplementado com um plano estrutural voltado para certos problemas de comportamento, se necessário.
• Faz acordos que são aceitáveis e executáveis para o paciente e supervisor
• Procura alternativas junto ao paciente promovendo sua auto-confiança e aumento do seu sentimento de auto-estima.


Uma vez que o tratamento é de grande importância, a ênfase é dada principalmente aos seguintes itens:

• Fazer considerações e tomar decisões sobre o auto-tratamento junto ao paciente. Por isso, é de interesse saber quais os desejos dos pacientes para melhor utilizar sua energia cada vez mais limitada.
• Oferecer segurança em um clima social familiar e um ambiente de convivência ajustado.
• Aproximação multidisciplinar para resolução dos problemas, por meio de uma atenção ininterrupta, observando os aspectos físicos, mentais e psico-sociais destes problemas.


Com uma visão para o tratamento profissional, a unidade Dahlia tem as seguintes considerações como ponto de partida:

• Atenção para a pessoa como um todo (físico, mental e social)
• Antecipação das mudanças de comportamento, lidando com tais problemas.
• Flexibilidade: podendo empregar regras e estruturas flexíveis em situações individuais. Atitudes básicas que demonstrem aceitação do paciente e o respeitem.
• Respeitar e proteger a privacidade do paciente
• Atenção ao companheiro, filhos e família do paciente.
• Observação formal e informal sobre mudanças na situação do paciente.
• Comandar habilidades técnicas para poder lidar responsavelmente com situações de crise agudas, - por exemplo: o aperto de Heimlich utilizado em casos de asfixia -, até que entre em ação um especialista no caso de uma agressão.
• Disponibilidade de especialidades especiais montadas para o grupo, como fonoterapia, conselho nutricional e musico-terapia. Além disso, nós podemos dispor de neurologistas, psiquiatras e ergônomos como resultado de uma consulta.

Huntington é uma doença relativamente rara ainda cercada por muitas perguntas, o que possibilita a colocação e discussão de novas experiências, sendo importante incluir os relatos de diferentes especialidades.

Na Hullenoord/Heemhof, o comitê de Huntington é o grupo principal no que se refere a esta doença, estando sempre preocupado com a otimização e desenvolvimento adicional no tratamento dos pacientes com Huntington.

Sobe


Pais e FilhosPor H. Alfaiate Burler, LCSW
Qual a melhor maneira de discutir a Doença de Huntington com crianças jovens, se um pai tiver DH ou está em risco de?

Há alguns princípios básicos para guiar os pais a discutir tópicos difíceis com suas crianças. A seguir damos algumas dicas extraídos do MDSA - Boletim Informativo Vol. 12 N.º 3 do 2º semestre de 1999.

HONESTIDADE: É extremamente importante estar aberto e ser honesto. As crianças sabem quando um pai não está contando a verdade ou está ansioso, e ficando desconfiado provavelmente deixará de escutar.

IDADE APROPRIADA: As informações apresentadas deveriam ser transmitidas de forma apropriada em idioma e em conceitos que a criança possa entender.

DOSES PEQUENAS: Nós aprendemos progressivamente e a informação é melhor absorvida com o passar do tempo em incrementos pequenos. Quando nós escutamos cuidadosamente, as crianças nos deixam saber que elas ouviram o bastante e retornarão mais tarde para ouvir mais.

CONFORTO: Faça tudo que for necessário para falar de uma maneira tranqüila e confortável. Talvez discuta seu plano primeiramente com um profissional no tratamento de DH, familiares ou amigos. Muitos acham que isto possa desempenhar um papel útil em tais situações, antes de se reunir com a criança. Grupos de apoio são excelentes locais para tal prática.Compartilhar informações sobre DH e como ela afeta os indivíduos, pode ser o tópico mais difícil para a família de DH. É aconselhável discutir tópicos menos difíceis primeiro.

Crianças precisam saber e entender a história inteira da família delas para ter um senso de orgulho e identidade. Talvez comece discutindo a história geográfica da família, passando então a discutir as características físicas e comportamentais positivas. Também, muitas famílias utilizam certos nomes em toda geração, preparando uma árvore genealógica familiar que poderia ser útil e utilizada novamente em discussões posteriores.

Algumas atitudes e convicções importantes de serem transmitidas as crianças sobre DH são:
• Aceitação e respeito aos membros da família com DH.
• Otimismo e esperança. Pesquisas extensas estão em desenvolvimento e o tratamento para a esperançosa cura, será encontrado.
• Ninguém é culpado por ter a DH, não é um castigo.
• Você nunca sabe quem na família desenvolverá DH.
• Admita que a DH é confusa e difícil de entender.
• Os pais não têm nenhum controle sobre a transmissão do gene e certamente nunca querem que isto aconteça.

Eu fiz duas perguntas ao Grupo de Apoio aos Doentes de Huntington do Centro de Excelência da HDSA da Universidade Emory. Devem as crianças ser informadas sobre DH ? A resposta era um unânime SIM. Quando a discussão de DH é evitada pelos pais supondo que seja algo que deveria ser embaraçoso e vergonhoso. O grupo sentia que as dificuldades surgiam quando esta importante informação era retida. Crianças precisam ter notícias sobre DH dos próprios pais e não acidentalmente ou através de outra pessoa.

Minha segunda questão: em que idade a criança deve-se ser informada? Houve consenso de que crianças com três ou quatro anos de idade podem começar a ouvir sobre DH e com oito anos estão totalmente prontas e abertas a discussões
.

Sobe


Guia MédicoGuia Médico Para o Tratamento da Doença de Huntington - Segunda Edição
Estratégias de condutas para doentes de Huntington

As declarações e opiniões expressas neste encarte, não são necessariamente oriundas da Sociedade Americana da Doença de Huntington - HDSA, que inclusive não promete, endossa ou recomenda qualquer tratamento ou condutas mencionada aqui. A postura do leitor deve ser consultar um médico ou outro profissional da área de saúde, visando obter maiores informações quanto ao tratamento ou terapia expostos neste encarte.

Algumas estratégias para comunicação:
• Dar a pessoa bastante tempo para responder perguntas.
• Dar sugestões e lembretes para estimular a pessoa a começar.
• Dar opções. Por exemplo, ao invés de lhe perguntar "o que você quer para o jantar?" pergunte " você prefere hambúrgueres ou bifes?"
• Divida a tarefa ou instruções em pequenos passos.
• Se a pessoa estiver confusa: fale de forma mais simples, utilizando artifícios visuais para demonstrar o que você está dizendo.
• Pedir à pessoa para repetir as frases que você não entendeu ou soletrar as palavras.
• Cartilha do alfabeto, cartões de resposta do tipo sim/não ou outros dispositivos de comunicação podem ser úteis.

Estratégias para planejar e tomar decisões:
• Elaborar rotinas que possam ser mais fáceis de iniciar e continuar sozinho.
• Fazer listas que ajudem a organizar tarefas que precisam ser feitas em uma atividade.
• Lembrar de cada passo de uma atividade com a ajuda de sugestões externas (agenda, listas, sugestões verbais familiares).
• Oferecer escolhas limitadas e evitar perguntas subjetivas.

Estratégias para conter a impulsividade:
• Como a pessoa com DH não pode controlar suas responsabilidades, um horário diário previsível pode reduzir confusão, medos e conseqüentemente, explosões.
• É possível que um comportamento seja uma resposta a algo que precisa de sua atenção. Não se apresse em classificá-lo como explosão.
• Mantenha a calma. Isto lhe ajudará a permanecer capaz de pensar e não reagir emocional e impulsivamente. Além disso, mantendo a calma, você poderá ajudar a outra pessoa a se tranqüilizar.
• Deixe a pessoa saber que gritar não é o melhor modo de adquirir sua atenção e ofereça métodos alternativos de como adquirir sua atenção.
• Lembre-se: apesar das coisas ditas serem nocivas e embaraçosas, geralmente a pessoa não está fazendo isto intencionalmente. Este é o doente de Huntington falando, não o seu namorado por exemplo.
• A pessoa pode ter remorsos posteriores. Seja sensitiva aos seus esforços em se desculpar. Não molestem a pessoa depois do fato. Isso não ajudará. Lembre-se, esta falta de controle normalmente não é escolhida.
• Medicamentos podem ser úteis no tratamento de explosões e comportamento sexualmente impróprio. Fale com seu médico.

Algumas estratégias para diminuir a irritabilidade e conter as explosões de temperamento:
• Verifique suas próprias expectativas relativas ao indivíduo afetado por DH. Um membro familiar pode estar pouco disposto ou impossibilitado de aceitar as novas limitações do paciente.
• Tente manter o ambiente o mais calmo e controlado possível.
• Fale em voz baixa e suave. Evite confrontações e ultimatos. Sente-se e mantenha as mãos quietas.
• Tente identificar as circunstâncias que ativam a irritabilidade e as explosões de temperamento; e as evite.
• Redirecione a pessoa com DH para longe da fonte de raiva.
• Aprenda a responder diplomaticamente, reconhecendo a irritabilidade do paciente como um sintoma de frustração.

Estratégias para lidar com a inconsciência:
• Não enfatizar a meta central. Uma pessoa pode ser capaz de falar sobre seus problemas, sem ter reconhecido nele a DH.
• A inconsciência nem sempre responderá a intervenções, e uma pessoa com DH parece nunca aceitar "a doença".
• Aconselhamento pode ajudar alguém com DH a reconhecer as condições diagnósticas, mas pode ter pouco impacto na questão específica.
• Isso pode ser útil para desenvolver um contrato, ou até mesmo um acordo formal escrito, que inclua incentivos à complacência, mas "evite" os assuntos da consciência.

Algumas estratégias para lidar com a falta de memória:
• Mantenha as atividades diárias de acordo com a rotina sempre que possível.
• Mantenha a agenda e horários habituais.
• Use listas com as atividades prescritas e com lembretes.
• Ofereça uma lista de opções para ajudar a escolha.
• Proponha sugestões para ajudar na recuperação de informação.

Estratégias para conter a irritabilidade:
• Reestruturação das expectativas e responsabilidades da pessoa para administrar a frustração. O ambiente deve ser o mais calmo e estruturado possível.
• Responder diplomaticamente, reconhecendo a irritabilidade como um sintoma. Devem ser evitados confrontações e ultimatos a menos que o assunto seja crucial.
• Tentar identificar as circunstâncias que são engatilhadas nas explosões de temperamento, podendo redirecionar a pessoa para longe da fonte de sua raiva.
• A família e os grupos de apoio podem prover valioso apoio emocional e podem ser excelentes meios para aprender e compartilhar as estratégias efetivas.

Estratégias para conter a apatia:
• Usar calendários, horários e rotinas para manter a pessoa ocupada.
• Não interpretar a falta de atividade como " preguiça ".
• Pacientes podem não ser capazes de iniciar atividades, mas podem participar se encorajados por outros.
• Sugerir gentilmente guias de comportamentos, mas aceite o "não" como resposta.

Dicas tiradas do “Guia Médico para o tratamento da Doença de Huntington” dos Drs. Ranen, Peyser e Folstein.

Sobe


Correio BrazilienseCorreio Braziliense, 16/11/2000
Sem doença fatal

A técnica de diagnóstico pré-implantacional (DPI) não é novidade e muito menos pode ser encarada como uma forma de terapia genética, já que a terapia é destinada a “consertar” os genes e não realizar uma pré-seleção do embrião.

Apesar de polêmica, a escolha dos embriões saudáveis vem sendo utilizada em alguns centros no mundo como a Espanha, há cerca de 10 anos, e também no Brasil. “A biópsia do embrião para verificar possíveis doenças é utilizada no país há pelo menos quatro anos”, diz Roger Abdelmassih, especialista em reprodução humana responsável pelo nascimento de mais de 2,2 mil bebês por fertilização in vitro.

Dono da Clínica e Centro de Pesquisa em Reprodução Humana, a maior de fertilização in vitro do país, situada em São Paulo, Abdelmassih afirma que o Brasil não tem nada a dever aos outros países em relação ao diagnóstico pré-implantacional. “É uma técnica de rotina”, comenta Abdelmassh, o médico que fez a fertilização dos gêmeos de Pelé e da filha de Tom Cavalcante.

Sobe


As células do Bem e do MalGonçalo Pereira
As células do Bem e do Mal

Antigamente a genética tratava da aparência: um sujeito que quisesse produzir um melhor rebanho, por exemplo, escolhia a melhor vaca e o melhor touro, cruzava os dois e esperava o resultado. Só que muitas vezes o melhor pai e a melhor mãe não produzem um filho campeão. Pode até ocorrer o oposto. Esse é o maior avanço que vivemos hoje nesse campo: com a genética molecular, a incerteza vai acabar. Hoje é possível identificar genes para determinadas características, copiá-las ou modificá-las se necessário. Para ter um conhecimento completo dos genes humanos, está sendo desenvolvido o projeto Genoma, espécie de mapa rodoviário de todas as nossas células. Isso nos levará a uma maior prevenção contra doenças. Esse avanço, contudo, traz um debate ético. Empresas podem se ver tentadas a encomendar testes genéticos de seus candidatos a emprego. Ao detectar sua propensão para desenvolver algum tipo de doença, podem optar por excluir um ou outro profissional.

Um dos mais dramáticos dilemas que envolvem o conhecimento genético é o da síndrome de Coréia de Huntington, doença neurodegenerativa que não apresenta sintomas e só se manifesta no indivíduo depois dos 30 anos de idade. É rara, sem tratamento e transmitida geneticamente. Como dizer ao portador que ele morrerá cedo? Por outro lado, como não dizer e deixar que tenha filhos também portadores do mesmo mal? Para curar doenças e evitar esses dilemas, teremos a terapia gênica. Ainda caríssima, ela permitirá substituir o gene defeituoso ou causador de doença por outro saudável. É preciso atingir as células certas, mas ainda não se sabe direito como. O cientista coloca os genes novos num transportador, que pode ser um vírus. Atualmente são desenvolvidos vírus causadores de doenças em determinados tecidos ou órgãos, com esse fim. O vírus se encarrega de levar o gene corretor para dentro do organismo. Somente quando esse tipo de técnica for mesmo efetiva, poderemos falar em um homem geneticamente quase perfeito.

Porém, para que serviria uma raça perfeita de seres humanos, quando a imperfeição é, ela própria, uma das características mais fascinantes da nossa espécie?

Trecho da Revista Veja do dia 10 de junho de 1998. Gonçalo Pereira é coordenador do laboratório de genética molecular de leveduras da Unicamp.

Sobe


DiscriminaçãoHuntington X Aposentadoria
Portadores da Doença de Huntington discriminados pela Lei

A Doença de Huntington, como já é do conhecimento de muitos, é uma doença progressiva dominante, que causa a morte dos neurônios. Caracterizada, principalmente, por progressivo declínio cognitivo, transtorno psiquiátrico, incapacitação tanto no aspecto intelectual, quanto motor, e, para qual, infelizmente, até o momento não existe cura.

O tratamento, no caso de um portador da Doença de Huntington, é longo e bastante caro; entre outros, há a necessidade de acompanhamento constante, fisioterápico e psicológico; as medicações ministradas são paliativas, umas atualmente importadas, por um custo bastante elevado, as quais visam a melhora da coordenação motora, evitando assim, os movimentos descoordenados, que levam os pacientes ao total desequilíbrio; outras são ante depressivas, etc.

Entretanto, apesar de tratar-se de doença grave e ser diagnos-ticada pelo DNA, a DOENÇA DE HUNTINGTON, não se acha no elenco das moléstias que a Lei (Regime Jurídico Único), dá ao servidor público portador, o direito de aponsetar-se por invalidez.

Não obstante, é de presumir, que as normas previdenciárias são instituídas com o fim precípuo, de assistência social e, exatamente por isso devem ser sempre, interpretadas a favor do beneficiários, o que não vem ocorrendo com os portadores da Doença de Huntington, os quais, entre tantas discriminações sofridas, vêm-se discriminados, também, pela lei que em princípio, deveria protegê-los.

No sentido de sanar tal injustiça, terá de se ingressar, através de políticos, com um projeto de lei junto à Câmara Federal, para que seja incluída no rol de doenças graves que dão direito a aposentadoria por invalidez, os portadores da Doença de Huntigton.

Sobe


ABHBrasil
Conheça a ABH - Associação Brasil Huntington

Temos o prazer de dizer que a UPADH não é a única associação aqui no Brasil a tratar da Doença de Huntington, contamos também com o apoio da ABH _ Associação Brasil Huntington, que tem sua sede em São Paulo, onde está realizando trabalhos excelentes. No mês de abril, precisamente dia 17, esta associação promoveu uma importante palestra com a neurologista, Mônica Santoro Haddad. Ela trabalha há 12 anos no Hospital das Clínicas de São Paulo, e essa trajetória foi completamente dedicada aos portadores dessa doença. Não podíamos esperar outro resultado, a palestra foi um grande sucesso. A reunião contou com a presença de quase duzentas pessoas vindas de vários lugares: Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Desde já a UPADH agradece os convites recebidos e parabeniza esta, que é uma de nossas grandes parceiras, dentre muitas outras que ainda vão surgir. Juntos vamos conquistar muitos outros méritos.

Para maiores informações sobre a ABH, contactar sua Presidente Maria Gorette Nunes no endereço: Rua das Camélias, 38, Jardim Imperial - 12940.000 - Atibaia - SP - Brasil, ou pelo telefax: 55 (**011) 484-2199 ou ainda pelo e-mail: hdbr@latinmail.com.

Sobe


InternacionalInternacional
Huntington Internacional

Para quem não sabe, não é só no Brasil que a Doença de Huntington é tratada com seriedade. Inclusive, as iniciativas e a divulgação da doença aqui, começaram tarde em relação à outros países.

Na Holanda, por exemplo, através da Sociedade Holandesa de Huntington, a Vereniging van Huntington, está sendo programado para agosto a 13ª Conferência Bienal e Workshop dos Países Baixos. Esta conferência acontecerá juntamente com a conferência do Grupo de Pesquisa em Doença de Huntington da Federação Mundial de Neurologia no Centro de Conferências Kurhaus.

A programação já está fechada e as despesas serão as mais baixas possíveis pra possibilitar que membros das Associações de todo o mundo possam participar.

Acontecerão grandes alestras e após a conferência, os participantes farão uma visita a uma das Casas de Tratamento com uma unidade de Doença de Huntington.

Lá terão informações sobre cuidados dispensados aos pacientes, como tratamento médico, terapia de diálogo, terapia física, terapia musical, terapia ocupacional, etc, além de uma grande oportunidade de dar uma olhada em unidades especializadas.

O convie já foi feito aos membros da UPADH e dessa forma, é imortante receber a ajuda de voluntários, até mesmo de m patrocínio por parte de algum órgão ou empresa, que tenha interesse em contribuir para que os representanes das Associações situadas no Brasil, possam participr e enriquecer os nossos métodos e para que possam iniciar novas ações.

A Conferência está marcada para 28 de agosto e terá duração até 2 de setembro de 1999. A solicitação está feita, quem puder ajudar de alguma forma é s&oac