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Doença de Huntington: uma visão biomolecular.
Dr. Júlio Fernandes Leite
Artigo publicado na Revista de Neurología (Barcelona), abril
de 2001;32(8):762-767.
Resumo. A doença de Huntington é uma doença
neurodegenerativa hereditária de caráter autossômico
dominante, que se caracteriza por movimentos involuntários
(coréia) e demência progressiva, sem tratamento curativo. O
objetivo deste trabalho é, através da análise do
conhecimento disponível sobre os mecanismos envolvidos na
neurodegeneração da doença, lançar uma visão crítica sobre o
tratamento convencional e, principalmente, sugerir novas
estratégias de intervenção. A neurodegeneração da doença de
Huntington envolve apoptose, afeta principalmente os núcleos
da base e é acompanhada por: (1) diminuição da perfusão
sangüínea cerebral; (2) diminuição da atividade metabólica,
com aumento da concentração de lactato; (3) disfunção de
complexos enzimáticos mitocondriais II e III; (4) acúmulo de
ferro; e (5) excitotoxicidade por desinibição de estímulos
glutamatérgicos córtico-estriatais. O acúmulo de ferro e a
excitotoxicidade mediada por glutamato possivelmente atuam
de modo sinergístico aumentando o estresse oxidativo no
estriado. A participação de metabólitos de triptofano é
questionável. O tratamento da coréia com inibidores de
receptores D2 de dopamina é útil em casos selecionados, mas
possivelmente produz aumento da concentração de glutamato no
estriado e, assim como os neurolépticos atípicos, aumenta a
atividade dos receptores de glutamato, podendo contribuir
para a excitotoxicidade. Enquanto a técnica de tratamento
através de transplante de tecido cerebral se desenvolve, o
uso de antioxidantes, como coenzima Q10 e tocoferol, de
suplementos nutricionais, como creatina e nicotinamida, além
de restrição nutricional de ferro ou uso de quelantes de
ferro, merecem atenção como estratégias não mutuamente
excludentes e de baixo custo na prevenção da
neurodegeneração da doença de Huntington.
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